domingo, novembro 06, 2011


O êxtase do absurdo...

Outra vez as paredes ganham disformes colorações e astros se entrenham na clarabóia translúcida de um céu estranho.

Estética infiltra-se no sentimento. Loucas projecções astronómicas de um ser inflamado e que se eleva, azul forte e paralelo pela bruma.

Por cauda os cabelos revôltos, crescentes e em passagem. Iconografia e o extravazar de loucura a tomar conta de mim-noite.

Um "Ah" perfurante a interjeição. Caem e recaem crivações e crispações o colo de um chôro novo - parto, parto e parto ainda.

Espécies num parto único - a pequenez da ficção a marcar pungente o idioma e universo. A loucura outra vez. A loucura ainda e sempre. A loucura aqui ao meu lado, a ditar e a escrever o ribombar de mais este relâmpago. Céu físico por cima, tão por cima, tão pesado...

Brilho amplificado agora, vidro estilhaçado agora. Música que esmaga, música que alaga de caos e brilho estes.

A agressão de ser em reviravolta inesperada, toma conta e destrói. E é todo um Nada. Que se pinta que se vive. Tôda a míriade antiga do que é dentro e sempre o foi. Toda a miríade sonhada cada vez mais forte e imagem. Confusão mais e maior, o espanto, um quase terror! De tudo isto e o volume e tudo isto mais.

O medo de levar-lhe a mão e ser real... o medo de levar-lhe a mão e estar ali. Todo este sem-fim... (momento crédulo)

Por um momento mais,

deixa-me vivê-lo, deixa-me querê-lo, este pedaço mais

de loucura em meus anais,

de loucura em meus quintais.

E era uma selva,

que se cerra.